Uma Rapariga no Verão

raparigaVítor Gonçalves

Vítor Gonçalves é um realizador, argumentista e produtor português nascido em Angra do Heroísmo em 1951. Filho de Vasco Gonçalves.

Forma-se em 1979 na Escola de Cinema do Conservatório Nacional, que é actualmente a prestigiada Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa, onde foi aluno de António Reis e onde é, actualmente, professor e director do departamento de realização.

Funda com José Bogalheiro, em 1984, a produtora Trópico Filmes, onde irá nos anos seguintes realizar, produzir e escrever algumas longas-metragens. O seu filme de estreia, Uma Rapariga no Verão, com Diogo Dória, João Perry, Isabel Galhardo e Joaquim Leitão nos principais papéis, teve a sua apresentação internacional em 1986, no Festival de Cinema de Veneza. O filme contou com o estreante Pedro Costa na qualidade de assistente de realização, de quem Vítor Gonçalves irá, anos depois, produzir a longa-metragem de estreia O Sangue, em 1989. Gonçalves passará os três anos seguintes a produzir a longa-metragem A Nuvem, de Ana Luísa Guimarães, que estreará em 1992.

Em 2013, Vítor Gonçalves regressa à realização de longa-metragem com A Vida Invisível, com Filipe Duarte, Maria João Pinho e João Perry1 , apresentado mundialmente na 8ª edição do Festival de Cinema de Roma.

Fonte:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Vitor_Gon%C3%A7alves_%28cineasta%29

Vítor Gonçalves – Uma Rapariga no Verão (1986)

“Uma Rapariga no Verão”, primeira única longa-metragem de Victor Gonçalves, é um diamante, mas se o é é daqueles que não se deixam ver na plenitude para se adençarem os mistérios. É um diamante por lapidar, por decantar, frágil, que de muito longe banal parece e que olhado ao perto ofusca e todas as belezas pode ofereçer.

Já se está mesmo a ver que é da mesma família e da mesma ética que o cinema de Joaquim Pinto. Pequenos grandes objectos, fundamente intimistas e brutalmente solitários. Muito solitários. Obras que de tão especial e orgulhosa sinceridade e exposição e simplicidade complexidade – longe dos “grandes temas”, causas cauções sociológicas dita contemporaneidade – de imediato são castradas postas longes de festivais e logo da “história relevante” e portanto de uma possivél memória ampla. Tamanha pobreza riqueza põe em causa e faz sentir mal o “grande cinema”.

“Uma Rapariga no Verão” é um filme de deambulações diurnas e de perdições pela noite. Ou o contrário. Deambulações de uma perdida que anda muito, anda anda anda, anda sempre e está sempre sozinha, mesmo que esteja sempre alguém com ela.”Não consigo estar sozinha” diz ela, e no entanto é o ser mais desprotegido e de certa forma desarticulado da terra – como desarticuladas são aquelas danças sobre as luzes espanpanantes e destoantes das boates. O paradoxo sempre foi que os sozinhos, os imensamente sozinhos como sozinho é o filme, não o são por estarem em casa no sofá ou trancados ou no escuro…eles andam muito, sobem e descem, em circulos sobre o mesmo ou nas curvaturas das linhas rectas, e como explicou Daney, chega-se a uma altura em que se continua a não falar para ninguém ou então fala-se com a indiferença de sentidos e angústia que não se confessa e começa-se a falar com as pernas, pernas amigas fiéis mesmo que tantas vezes traidoras.

Que mundo é o mundo do filme de Victor Gonçalves? É o nosso mundo, Portugal dos anos oitenta, reconheçivél e claro, mas é um filme igualmente escuro tão escuro, de opacidades e segredos, desvios e zonas ambiguas. São os negros, os verdes, os azuis e as panteras de Tourneur, os nevoeiros cinzentissimos ao chao rasante e os carros e as mulheres mulher de Preminger ou os tais corredores penteados vertigem vermelho milhos de Hitchcock que volvem ou devolvem as características sonâmbulas ou incertas mundos outros ao nosso mundo para assim nos fazer experimentar o abandono e a procura de amor e rumo da Isabel ou do Diogo ou do pai José Manuel. Aquele caçador com a magnífica e portentosa caçadeira que entra pelos pesadelos do Diogo, ou essa irmã de Isabel que me surge igualmente tão desamparada. Um pé neste mundo e outro em mundos possivéis. A lucidez da exposição e a transe da incerteza e do ignorar medos.

“Uma Rapariga no Verão” é por isto uma experiência circundante e deambulatória como os seres que por lá habitam e não sabem onde parar que fazer e como tudo o que à definição escapa, cortantemente e secretamente elíptica – tantas são elas e tão supreendestes, em que do dia à noite total vamos parar ou contrário, de um quarto entrado em que julgamos o amor possivel acontecer para um campo de sol e ervas talvez verdes amarelas em que as caricias parecem não enganar. A reversão continua e anda de mão dava com o inexplicavél, também por isto este é um filme a preto e branco pintado nas cores e a cores urdido nos pretos e nos brancos. Na sua austeridade e cerração formal um verde irrompe no total negrume ou o total negrume pode criar um halo assustador à mais prometedora jovialidade. Nada por ali de ascético transcendental ou simples contemplação e toda a sensualidade e volúpia erotismo dos caminhares e dos gestos e dos corpos que olham e se mexem resultam da incerteza do próximo passo ou da gradação do escuro ou de outra qualquer luz que perpasse. A contemplação então inscrita no instante seguinte que não se mostra.

Fonte:

http://raging-b.blogspot.com.es/2011/01/uma-rapariga-no-verao-primeira-unica.html

Video:

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